Nas 87 horas que levei para zerar Elden Ring, passei por uma verdadeira montanha-russa de emoções: raiva ao ser derrubado por seus desafios mais difíceis, euforia quando finalmente os superei e uma boa dose de tristeza pelas montanhas de experiência que perdi pelo caminho em alguns dos confrontos com chefes mais difíceis que a FromSoftware já concebeu. Mas, mais do que qualquer outra coisa, eu estava em quase constante admiração – pelas muitas paisagens de cair o queixo, pela escala absoluta de um mundo enorme, pelos inimigos frequentemente aterrorizantes e pela maneira como Elden Ring quase sempre recompensou minha curiosidade com um encontro interessante, uma recompensa valiosa ou algo ainda maior. A FromSoftware pega a bola que The Legend of Zelda: Breath of the Wild colocou em movimento e corre com ela, criando um mundo aberto fascinante e denso, centrado acima de tudo em liberdade e exploração, ao mesmo tempo em que de algum modo consegue costurar um Dark Souls completo no meio dele. Não deveria surpreender ninguém que Elden Ring tenha se tornado uma das experiências de jogo mais inesquecíveis que já tive.
Como dar continuidade a um dos maiores videogames de todos os tempos? A Sony Santa Monica se vê em uma situação não muito diferente de quando Francis Ford Coppola criou a sequência de sua obra-prima sobre a máfia, O Poderoso Chefão. Como a segunda parte da história dos Corleone, God of War Ragnarok coloca um membro jovem e feroz da família diretamente sob o microscópio. Ao fazer isso, consegue alcançar as alturas de seu antecessor e, em certos aspectos, até superá-lo. O roteiro, as atuações e a música são excepcionais e dão vida a essa vasta tapeçaria nórdica, mas, mesmo enquanto segura seu coração em uma das mãos com uma história elegantemente contada, ele esmaga ossos com a outra, num combate fantasticamente feroz. Tudo isso se une para forjar uma monumental épica de ação que acrescenta mais um marco impressionante à paisagem dos videogames.